“Vida de Bixo não é fácil”

Os calouros do ITA são chamados de bixos (com “x” na grafia, talvez para diferenciar da palavra bicho… deixo aqui uma sugestão de pesquisa para o futuro). Confesso que estranho o termo, mas foi algo criado faz muito tempo e é parte da tradição Iteana. Há muito orgulho em ser bixo, afinal passar em um dos vestibulares mais corridos do país é a consolidação de um sonho.

Todos sabemos de como o processo de adaptação é desafiador, em qualquer idade e contexto. Existem muitos estudos sobre o ingresso de estudantes na vida universitária que trazem relevantes informações sobre estratégias para o enfrentamento das dificuldade nessa fase da vida, como gestão emocional, vida social e apoio estudantil nas Instituições de Ensino Superior.

Mas o assunto hoje é sobre um episódio ocorrido na semana passada, e que foi importante na reflexão sobre esse projeto.

Eu havia agendado um almoço com o Diretor da CARE, o estudante da T28 Ivan Gorgônio (a turma de formatura é uma referência para a comunidade), na cantina da D. Antônia, ponto de encontro entre muitos estudantes e professores por aqui. Conversamos sobre férias, vida acadêmica e perspectivas futuras de alguns projetos que cada um de nós estava planejando. O objetivo principal desse almoço era apresentar o projeto Bem Viver no Campus e torcer que minha habilidade de comunicação pudesse entusiasma-lo com as novas ideias.

Após explicar a proposta, e com bastante cautela nas palavras para que ele pudesse pensar sobre o assunto, o deixei à vontade para refletir com os demais membros da CARE. Mas, antes de se despedir, ele virou para mim e perguntou: e como está indo o seu doutorado?

Não disfarcei a minha agitação, misturada entre a empolgação e os inúmeros alinhamentos necessários para tudo dar certo. Acho que ele sentiu o que eu estava descrevendo e com um gesto de empatia, por quem havia recentemente passado pelo primeiro ano da graduação, disse com um sorriso: “É… vida de bixo não é fácil”. Rimos juntos com a analogia tão espontânea.

Nesta escuta e nesta frase tão empática, fui capaz de trazer a tranquilidade de que eu estava precisando naquele momento à consciência. E isso faz parte das motivações que tenho para esse projeto.

É possível trazer para a nossa rotina pequenas ações que trazem benefícios para a saúde. Promover saúde não é prescrição, receitas ou seguir uma vida perfeita. Promover saúde é consciência, sensibilidade e bom senso.

Sigamos no propósito.

Um cantinho de descanso na UFF, nos intervalos das aulas do doutorado.

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