Falar sobre saúde mental na universidade é, acima de tudo, reconhecer que o alto desempenho acadêmico precisa andar junto com o cuidado cotidiano. No ITA, esse movimento tem ganhado força graças à atuação direta dos próprios estudantes, como mostrado nessa ação da Diretoria da CARE, organização do Centro Acadêmico Santos Dumont dedicada à promoção da saúde mental e bem-estar no campus.
Neste vídeo produzido pelos estudantes, somos convidados a refletir sobre o valor da ajuda entre pares, o impacto da rotina acadêmica sobre o bem-estar e o papel transformador dos coletivos estudantis. Quando os próprios alunos se colocam como agentes de mudança, ampliam o alcance das ações e ajudam a criar um ambiente mais acolhedor, humano e sustentável.
O protagonismo estudantil é uma das chaves para repensar a cultura do cuidado no ensino superior. Ao ocupar esse lugar de fala e ação, os estudantes mostram que é possível construir, com autonomia e responsabilidade, uma vida universitária que não negligencia o emocional. Que esse vídeo inspire novas conversas, conexões e caminhos dentro e fora do campus.

Saúde Mental e Alta Performance
A transição para a universidade é um período significativo e frequentemente estressante na vida dos jovens adultos, com um número crescente de estudantes que relatam problemas de saúde mental. Os desafios da vida universitária podem levar a um aumento no sofrimento psicológico e a problemas de saúde mental que, por sua vez, podem afetar o desempenho acadêmico e aumentar as taxas de abandono.
Esta temática está inserida na pauta das discussões nas universidades, no Brasil e no mundo, sendo um dos principais desafios atuais no apoio ao estudante do ensino superior. No que tange a promoção da saúde mental nas universidades, estudos apontam que o cuidado da saúde pode estar atravessado pela alta demanda imposta aos acadêmicos, ou seja, um volume significativo de atividades e responsabilidades que demandam dedicação, organização, cumprimento de metas em prazos insuficientes para seu cumprimento. Confira algum dos principais fatores que dificultam o cuidado com a saúde mental.
Conflito de Agendas
Em estudos qualitativos, os participantes relataram que as demandas acadêmicas, como exames e a pressão para “recuperar” (por exemplo, após o encerramento do calendário escolar), contribuem para problemas de saúde mental. Há uma tensão percebida onde as agendas de “aprendizagem” e de “bem-estar” são vistas como concorrentes em vez de complementares.
Alta Pressão Acadêmica
Tanto no ingresso ao ensino superior como no final do curso, os estudantes relatam maior preocupação com a demanda acadêmica. Isso pode manifestar-se como ansiedade de desempenho ou preocupações sobre não ter conhecimento suficiente para lidar com o futuro papel profissional, refletindo em hábitos protetores da saúde, como o sono.
Dissociação entre Educação e Saúde
Existe ainda o conflito de intervenções de promoção da saúde em ambientes escolares, vistos como interferência em um sistema complexo que visa principalmente a educação, e não a promoção da saúde. Essa visão reflete, muitas vezes, o raciocínio fragmentado sobre o ser humano em seu processo de aprendizagem ou a fragilidade de ações transdisciplinares nas instituições de ensino.
Fatores do Ambiente Acadêmico
O clima competitivo, excesso de carga de trabalho e falta de apoio no ambiente acadêmico são fatores que podem aumentar o stress percebido pelos estudantes.
Saúde como Segundo Plano
Por vezes, os estudantes, sendo jovens e saudáveis, tendem a ignorar a sua própria saúde. Embora os objetivos educacionais dos cursos estejam alinhados com futuros papéis profissionais, o planejamento curricular pode não abordar adequadamente a promoção da saúde.
A complementariedade entre Saúde e Educação
Em suma, a alta demanda dos cursos de graduação contribui para o estresse e problemas de saúde mental dos estudantes através da pressão acadêmica direta, o conflito entre as metas de aprendizagem e de bem-estar, e um ambiente competitivo que muitas vezes prioriza o desempenho acadêmico sobre um olhar mais integral do estudante. Para abordar esta questão, é necessário integrar entre educação e saúde de modo complementar, focando na criação de uma cultura genuína de bem-estar que vá além do discurso e inclua apoio efetivo aos estudantes e ao pessoal.
